[]
Escuro. Fechou os olhos. Sentiu o escuro. Sentiu ser envolvido pelo escuro. Desapareceram a mesa, os papéis, a caneta.
Raspagens nas letras. Não ouvir as lamentações surdas de si próprio.
Um preto bêbado sorri encostado à parede.
Eu devo obter o silêncio necessário ao meu recolhimento.
O grande medo, que ele guarda dentro de si, é que, algum dia, o seu próprio mito desabe como um circo, e ele se veja solitário e inútil.
Realizava-se uma festa e eu mantinha-me silencioso num canto.
Um corpo na superfície.
Oitocentos e quarenta bilhões de pontos de interrogação.
Ele está enfermo e tenta curar a si mesmo. Ele conduz uma multidão de loucos; ele é o líder, o curandeiro, a única esperança. Ele volta o rosto para a multidão e pronuncia um discurso. O discurso diz que os loucos devem expor suas feridas ao sol e às moscas. A multidão murmura perplexa, mas ele grita e reafirma a sua doutrina. As suas próprias feridas, ele cobre de fragmentos de animais mortos, e ele usa um capacete dourado.
Existem dias em que estou a ponto de explodir como uma bolha de sabão. Uma explosão sem ruído.
Difícil determinar as relações. Estou ligado a alguma coisa? Estou ligado a alguma coisa? Esquecimento da orgem.
Existe um intervalo de tempo que eu levo para mergulhar em mim mesmo. Nos primeiros instantes eu permaneço perdido e procurando qualquer coisa. Não sei definir o que eu procuro. Fui encontrado por mim…
Estou numa confusão absoluta de palavras e de sentido. Um jogo. Um novo jogo de palavras. Uma sonolência. Fadiga de existir. Sonolência. O meu estado geral e definitivo de existir é a apatia. Enfrentar a loucura. Enfrentar a própria loucura e enfrentar a loucura do mundo. Sempre no limite razão-loucura. Construir a ordem da falta de ordem.
Cada coisa tem seu tempo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário